ENTREVISTA

Desde 1997, o Pastor Daniel Casimiro está à frente da Igreja Evangélica Comunidade de Jesus – Ministério Deus é Vida.

A cada dia, seu trabalho torna-se mais conhecido – e não por acaso. Afinal, já são duas décadas de experiências com Deus.

Com mais de 30 CDs de mensagens bíblicas gravados, agora, seus DVDs têm chegado a inúmeros lares e conquistado muitas vidas para Cristo.

Nessa entrevista, dentre outras coisas, revela detalhes de sua conversão ao Senhor Jesus, a repercussão de seu trabalho e comenta vários assuntos pertinentes ao meio evangélico.

 

Conte-nos sobre sua conversão.

Bem, vim de um lar onde as brigas eram constantes. Meus pais procuraram ajuda em muitos lugares. Até que um dia, eles foram a uma igreja evangélica e eu os acompanhei. Eu tinha uns 9/10 anos. Mas, antes disso, já havia recebido Jesus como meu único e suficiente Salvador.

 

Como assim?

É que, apesar da pouca idade, eu tinha sede de Deus. Algo realmente incomum. Sempre que surgia uma oportunidade, ia a algum culto – mesmo sozinho. Explico: é que durante um tempo, na rua onde moro, havia mais de uma igreja. Então, como elas ficavam pertinho de casa, meus pais me deixavam ir.

 

Depois que vocês todos foram para a igreja, como era o seu comportamento no culto?

Quando íamos para a igreja, eu ficava atento à mensagem (não queria saber de cultinho!). Participava dos louvores, das orações, das campanhas. Inclusive, meu pai e eu fomos revestidos com o Espírito Santo no mesmo dia.

 

O senhor teve alguma outra experiência com Deus em sua infância?

Sim, muitas. Mas vou comentar uma que marcou-me profundamente. Minha mãe estava enferma. Um dia acordei e encontrei-a na sala, sofrendo convulsão. Fiquei assustado! Mas, lembrei-me da importância da fé e da oração. Chorando muito, ajoelhei e comecei a clamar ao Senhor. Até que vi uma mão descendo do teto de casa. Outro susto! Abri os olhos – continuei vendo –, fechei os olhos e a mão estava lá, cada vez mais próxima de nós. Foi quando ouvi: “Meu pequeno, não temas; eu vim socorrer tua mãe!”. No momento em que essa frase foi dita, abri os olhos e minha mãe já estava retomando a consciência e, desde aquele dia, ela NUNCA mais padeceu desse mal. Glórias a Deus!

 

O que aconteceu depois disso?

Comecei a receber muitos convites para pregar em diversas igrejas. Com a permissão do meu pastor, fui a muitas denominações levar a Palavra de Deus. Como eu era criança, normalmente me chamavam para congressos infantis. Mas, também me convidavam para trabalhos evangelísticos (uma criança pregando despertava a atenção). A propósito, desci às águas em 25.setembro.1988, quando estava prestes a completar onze anos de idade.

Mensagens proféticas foram proferidas, nos mais diversos lugares. E sempre diziam o mesmo: o Senhor me usaria para alcançar os feridos, colocaria um povo sob a minha responsabilidade e a minha voz chegaria a vários cantos do planeta.

  

Cite alguns dos principais acontecimentos que marcaram sua juventude?

Com o passar do tempo, fui elevado a Evangelista, e meu pai a Pastor. Eu tinha muitos planos, participei de vários cursos e tive o privilégio de aprender uma profissão que me trouxe realização: Regulação de Sinistros. Fui treinado por aqueles que considero os melhores do ramo. Sempre serei grato a essas pessoas.

 

Como surgiu a Igreja Evangélica Comunidade de Jesus – Ministério Deus é Vida?

Surgiu porque o Senhor o quis. Ser pastor não fazia parte dos meus planos. Como Evangelista, conseguia conciliar tudo – ministério, profissão, estudos. Até que, em um dos bairros onde atuava, comecei a notar que os novos convertidos não eram discipulados e, conseqüentemente, não se identificavam com a visão. Assim, grande parte deles freqüentava somente os cultos em que eu ministrava. Resolvi parar. Afinal, o propósito não estava sendo alcançado. Busquei conselho com amigos meus, obreiros do Senhor, que me orientaram como agir. Despedi-me de todos ali e, sob a direção de Deus, comecei um novo trabalho. Meus pais vieram me ajudar e, assim, surgiu a Igreja Evangélica Comunidade de Jesus – Ministério Deus é Vida. Fui ungido e reconhecido como... Pastor! O querer de Deus prevaleceu!

 

Foi difícil deixar a carreira que tanto o realizava?

Quero falar um pouco sobre isso. Recebi uma dádiva: uma profissão que me faz feliz! E isso não se perde. é conhecimento! Fui treinado pelos melhores do ramo, executivos que admiro. Deixei as portas abertas. E sempre serei grato por tudo que me ensinaram.

Foi muito difícil abrir mão. Sinto saudade do que fazia e também de pessoas que conheci e que tanto acrescentaram em minha vida.

Com o crescimento da Igreja, tornou-se necessária a minha presença de uma forma mais constante. Em determinadas ocasiões, os demais pastores precisavam da minha opinião para a tomada de decisões e até assinatura de contratos. Mas, por causa da profissão, eu viajava muito. Tive que optar. E repito: foi muito difícil!

Porém, quero deixar claro que ser Pastor, para mim, não é profissão. Sim, estudei teologia e lidero uma Igreja. Contudo, tenho a minha empresa, a Danimar Comércio de áudio e Vídeo Ltda.-Me. Já lancei mais de 30 CDs, diversas obras literárias e, agora, os DVDs. Então, não me venham com aquele chavão “vive ‘só’ da obra”, embora isto seja plenamente respaldado pela Palavra (Tm.5:17,18; Gl.6:6). Mas, no meu caso, além desta, tenho outras atividades.

 

Há quem diga que pastor deve ser casado. O que o senhor pensa sobre isso?

Fico com a Bíblia. O ministério de um solteiro é totalmente avalizado pelas Escrituras.

Em Co.7:7,8,32,33,35, Paulo aconselha os solteiros a permanecerem, se possível, como ele, porque o solteiro cuida das coisas do Senhor. Já o casado, tem que dividir a atenção com o cônjuge, enquanto o solteiro dedica-se em satisfazer a Deus. Além disso, em Mt.19:12, o próprio Senhor Jesus faz menção a pessoas que decidem permanecer solteiras para estarem a serviço do Reino. Aliás, conforme Jo.10:11, Ele mesmo disse: “Eu sou o bom pastor (...)”, e, pelo que eu saiba, o meu Mestre não era casado, nem se casou.

As pessoas comentam tanto o fato de um pastor ser solteiro, que acabam se esquecendo das verdadeiras características necessárias a alguém com tal incumbência. Paulo menciona que o ministro deve ser irrepreensível, marido de uma só mulher, respeitável, apto para ensinar (Tm.3:2). Aí, eu me pergunto: Como ficam aqueles que estão cheios de dívidas e ainda passam cheques sem fundo, são irrepreensíveis? E os que se divorciaram e estão no segundo (ou terceiro) casamento, são marido de uma só mulher? Complicado, não? Mas, ainda assim, de forma equivocada, há quem use o trecho em questão para dizer que o líder deve ser casado. Quando, na verdade, o texto declara que não pode ter mais de uma esposa.

Também há quem diga que Paulo era viúvo. Se essa tese for verdadeira, o que isso muda? O fato é que não se casou novamente e orientou aos solteiros e viúvos a permanecerem como ele (se possível, é claro).

É impressionante como certos “religiosos” se contradizem. Olham atravessado para um pastor solteiro, mas ovacionam pastores que nem ovelhas têm, ou seja, não pastoreiam ninguém. Mas, pastor não tem que pastorear, cuidar das ovelhas? É, para esses “religiosos”, nada disso importa! Basta ser casado e saber gritar...

Obviamente, cada denominação tem o seu costume, o que eu respeito. Porém, é um erro grotesco dizer que isso é uma Doutrina Bíblica e, assim, desmerecer o ministério dos solteiros. Não podemos nos esquecer que muitas pessoas foram disciplinadas e até excluídas em algumas igrejas, apenas por terem televisão. E hoje, essas mesmas denominações estão nas telinhas com seus programas...

Tanto o casado quanto o solteiro pode exercer o ministério pastoral, desde que atenda aos requisitos mencionados nas Sagradas Escrituras.

 

Fale um pouco mais sobre a Igreja Comunidade de Jesus – Ministério Deus é Vida!

Amo o rebanho que o Senhor me confiou. Somos uma igreja pentecostal que prima pela ordem. Tudo deve ter base bíblica. Ali, você não verá bagunça.

 

Qual o perfil de suas ovelhas?

Desde homens e mulheres com curso superior até aqueles que não puderam estudar. Na Comunidade, o rico e o pobre se encontram e são tratados igualmente. Não fazemos distinção (At.10:34; Tg.2:1-9). Afinal, fomos comprados pelo mesmo preço. E que preço! O Sangue de nosso Senhor Jesus.

 

Comente algum milagre.

Costumo dizer que cada crente é um milagre, pois considero a conversão de um indivíduo o maior de todos eles. é claro que temos também pessoas curadas, libertas do uso de entorpecentes e do alcoolismo (sem precisar de internação em clínica) e vários casamentos restaurados.

 

Quando o senhor vai pregar, qual o seu maior cuidado?

Primeiro é necessário pedir direção a Deus sobre o assunto, fazer pesquisas e estudar o tema. Preocupo-me em transmitir a Palavra de modo que ela fique gravada em quem a recebe. De que adianta barulho, se não tem conteúdo? Aliás, hoje em dia, muitas mensagens não convidam à reflexão. Você pergunta sobre o que falou o pregador e a pessoa responde que não sabe, só diz que foi uma bênção. Isso está errado! Por isso, uso todos os recursos disponíveis a fim de que a pessoa não esqueça o que foi ministrado.

 

Dizem que o senhor tem um estilo bem particular de pregar, o que acha disso?

Sinto-me honrado e privilegiado. Não vou imitar pregador famoso como se isso fosse receita para sucesso. Acredito na multiforme graça de Deus (1ºPe.4:10).

 

Em algumas ministrações, o senhor encenou algumas ilustrações. Fale um pouco sobre esse assunto.

Para se fazer compreender, Jesus contava histórias durante seus sermões, as quais conhecemos como parábolas. Este foi um dos recursos que adotou. Em At.17:28, para atrair a atenção de sua platéia – formada por filósofos – e falar-lhes sobre a obra de Cristo, Paulo usou textos de poetas e profetas pagãos, como Epimênedes, Cleanto e Arato (estes dois últimos escreveram sobre Zeus). O texto de Co.15:33 é citação de uma comédia grega, e nem por isso foi excluído das Escrituras. Para quem quiser saber mais sobre o assunto, consulte a seção Sermões deste site e leia o artigo “A Técnica Paulina”.

Agora, é claro que não uso sempre os mesmos recursos. Tenho mais de 30 CD’s gravados. é só ouvi-los para conferir. A forma de ministrar varia de acordo com o assunto tratado. No terceiro DVD não adotei o formato dos anteriores e a unção é a mesma. Já disse que acredito na multiforme graça de Deus.

 

Mas, se algum religioso assistir os dois primeiros DVDs pode pensar: “no altar?”.

Bom, tentarei ser mais claro. Primeiro, estou pregando na Igreja que presido. Segundo, tenho respaldo bíblico. Terceiro, já mencionei que a forma de ministrar varia de acordo com o enfoque adotado para o tema. Quarto, se o (a) incomodado (a) vai usar a Lei de Moisés para alfinetar, é bom lembrar-se que o levita deveria ser HEBREU, descendente de Levi (ah, e naqueles termos não havia permissão para mulher atuar). Então, pense antes de criticar.

Além disso, o que dizer do pessoal que fica no altar conversando, e, às vezes, até dormindo, enquanto o pastor está pregando, isso é reverência? E aqueles que só “percebem” o “poder” quando lhes é dada a oportunidade, isso é reverência? E os que usam o púlpito para atacar o obreiro ou conferencista que ali está, isso é reverência? E os que fazem do altar um palanque político, isso é reverência? Repito: é bom pensar antes de criticar.

 

O senhor aceitaria convites para pregar em outra igreja?

Sim. Apenas é preciso marcar com certa antecedência, pois meus compromissos com a Igreja Evangélica Comunidade de Jesus – Ministério Deus é vida – têm prioridade.

 

Quando o senhor é convidado para pregar em outra denominação, faz uso desses recursos?

Como assim?

 

Quando ministra em outra igreja, também toca músicas seculares e dança?

Não!

 

Por quê?

Porque usei está linguagem especialmente para a gravação dos dois primeiros DVDs, buscando alcançar vidas para o Reino de Deus, pessoas que normalmente não assistiriam a um DVD de pregação.  

 

Mas e se alguma igreja o convidar e pedir que o senhor use esses recursos?

Tudo terá que ser estudado. Se for para um trabalho evangelístico, quem sabe? Mas, isso será uma exceção.

 

De repente, seu trabalho começou a ficar conhecido...

São duas décadas de experiências com Deus. Mas, realmente, depois do primeiro DVD, temos chegado a lugares nunca antes imaginados. é promessa de Deus! E o rebanho da Comunidade ama as almas. O povo vestiu a camisa e evangeliza com estes materiais e o Senhor tem honrado. Muitas vidas já se renderam ao Salvador em vários cantos do país. Além disso, não posso deixar de mencionar os testemunhos que tenho recebido de pessoas que já freqüentavam outras denominações, porém ainda estavam indecisas, mas após assistirem nossos DVDs, se batizaram em suas respectivas congregações. É bênção!